Pelo Sertão é a obra fundamental de Afonso Arinos de Melo Franco, um marco no regionalismo brasileiro que antecipou a Geração de 30. Publicada em 1898, a coletânea de doze contos transporta o leitor para a vida interiorana de Minas Gerais, desbravando o sertão como um espaço geográfico e humano até então inexplorado nas letras nacionais.
Fruto da vivência do autor na zona rural, o livro reflete o linguajar autêntico, as crenças e as mitologias do homem sertanejo. Seus personagens são guiados pela coragem - seja para enfrentar uma assombração, forças policiais ou jagunços rivais - e por apreciar uma boa prosa. É a voz pura e forte do sertão sendo ouvida.
A paisagem local é um elemento central e vivo: o autor descreve a imponência das montanhas, a vastidão da mata cerrada e a violência das correntezas, retratando um ambiente que, embora exuberante, é muitas vezes hostil, abrigando perigos que o vaqueiro e o jagunço precisam conhecer e respeitar para sobreviver.
O alcance do regionalismo de Afonso Arinos se estende também às cidades interioranas, onde a vida e os personagens revelam novas tristezas, coragens e preocupações.
Afonso Arinos soube, como poucos, observar e apreciar tanto a vida dos grandes centros quanto a do sertão, o que confere a seus textos uma amplitude e profundidade que o tornam leitura essencial da literatura brasileira.