E se o primeiro contato do estudante com a agulha não precisasse ser em um animal vivo? É essa pergunta que atravessa os quatro capítulos desta coletânea acadêmica sobre modelos alternativos de estudos em pequenos animais.
O ensino veterinário vive um impasse conhecido. As aulas expositivas tradicionais geram monotonia e desatenção, os estudantes relatam pouca interação e, quando chega a hora da prática, procedimentos aparentemente simples como a injeção subcutânea ou a punção da veia cefálica produzem insegurança, ansiedade e risco de erro iatrogênico. Some a isso a questão ética do bem-estar animal e o resultado é um treinamento que raramente acontece em condições ideais.
A resposta apresentada aqui é concreta: simuladores sintéticos de baixo custo, construídos com silicone, tecido perfurado e óleo mineral, acoplados a bonecos de pelúcia ou em versão isolada do membro, capazes de reproduzir a sensação tátil da região interescapular e o pinçamento da pele canina. Cada modelo passou por validação de conteúdo com médicos veterinários docentes e por validação de construto com turmas de estudantes, avaliadas por questionários em escala Likert.
Os trabalhos nasceram das aulas práticas de Semiologia e Clínica Médica de Pequenos Animais da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, com projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o protocolo 7.478.616, e dialogam com a literatura da área, de Silva e colaboradores a Cruz, Ulanin, Bonrruque e Adami. Os resultados são relatados sem retoque: houve aumento de confiança e melhor compreensão anatômica, e houve também apontamentos sobre realismo tátil e resistência à punção que precisam de ajuste.
Leitura direta para professores de Medicina Veterinária, coordenadores de curso, monitores e estudantes que procuram metodologias ativas, alternativas éticas ao uso de animais no ensino e um caminho testado para levar a prática do laboratório à clínica com mais segurança.